Depois dos trinta
Alegrias e angústias de uma alma feminina
quinta-feira, 9 de junho de 2011
A atual obrigação de ser feliz
Você é feliz o tempo todo? Aposto que não. A felicidade - esse sentimento tão incessantemente buscado pelas pessoas - não é um estado permanente, ainda que você se considere uma pessoa feliz. O que há de fato, são momentos felizes, que ocorrem aqui e ali, em ocasiões singelas da nossa vida e que, por isso mesmo, acabam sendo desprezados pela maioria das pessoas que buscam a felicidade nos grandes acontecimentos.
De acordo com uma matéria do jornal Pampulha, de Belo Horizonte, duas pesquisas da USP apontaram o casamento, o emprego e a renda como fatores que deixam o brasileiro feliz. Lá fora, um projeto da Universidade de Roterdã, na Holanda - o World Database of Happiness - pesquisa a felicidade no mundo desde a década de 80 . Embora o nível de satisfação com a vida não seja o mesmo em todos os países, os fatores considerados fundamentais para a felicidade são os mesmos: vida em família, saúde, emprego e situação financeira. Mas não basta ter isso; é preciso saber desfrutar de tudo isso.
A jornalista Leila Ferreira, autora do livro "A arte de ser leve", entrevistou o sociólogo criador e coordenador do maior banco de dados do mundo sobre a felicidade (esse que eu citei acima), Ruut Veenhoven. Em que lugar da pesquisa está o Brasil? Em décimo sexto ( na época da entrevista, em fev/2009). A autora cita, no livro, algumas conclusões da pesquisa:
- os casados são mais felizes que os solteiros - mas só até a chegada dos filhos, quando as coisas costumam mudar;
- o dinheiro traz felicidade até certo ponto: quando ele supre as necessidades e garante o conforto, ter mais não faz grande diferença na felicidade;
- a religião contribui para a felicidade "mais pelo fato de a pessoa pertencer a uma Igreja do que pela crença religiosa em si";
- pessoas felizes vivem mais porque a felicidade ajuda a prevenir doenças.
O pesquisador compara a felicidade à saúde: é influenciada pelo meio em que vivemos, pela genética, pelas circunstâncias e pela sorte; mas o nosso comportamento também pode fazer a diferença, dependendo de nossas habilidades para lidar com a vida e enfrentar os problemas. "Pessoas felizes não são pessoas que não têm problemas. São aquelas mais preparadas para enfrentá-los, porque geralmente têm bom senso, resistência, capacidade de tolerar frustrações etc", afirma ele. Assim , investir na saúde emocional é investir na felicidade. Cuidar da saúde mental é fundamental, embora as pessoas costumem investir mais na saúde física.
Ao longo da história, a felicidade foi vista de maneiras diferentes:
-na Grécia Antiga, o homem não podia consegui-la porque ela estava nas mãos dos deuses e o mundo era feito de acontecimentos que o homem não podia controlar;
- na era cristã, o homem acreditava que só havia felicidade na imortalidade da alma e para se atingi-la era necessário ter fé e devoção em Deus;
- no período do Iluminismo, o homem tinha o direito de conseguir a felicidade e as revoluções liberais, como a independência dos EUA e a Revolução Francesa colocam a felicidade no conjunto de garantias individuais dos cidadãos;
- nos dias atuais, com o avanço da tecnologia fala-se até em uma pílula da felicidade, que aumentaria a síntese de serotonina ( neurotransmisssor responsável pela sensação de bem estar).
Mas o que mais se percebe hoje, a respeito da felicidade?
"Acho péssima essa obrigação de ser sempre feliz. Tristeza é fundamental." Foi o que disse a jornalista Renata Vasconcellos em matéria publicada na revista TPM ( leia aqui). Penso que ela está coberta de razão. Nos dias atuais, em que as redes sociais tomam boa parte do nosso tempo, vemos isso claramente, nas fotos e nas frases dos perfis. Todos parecem tão felizes! Mais ou menos como na revista Caras, onde ninguém tem problemas e a vida é uma sequência sem fim de celebrações! Uma festa total!
Dennis Prager, americano autor do livro "Happiness is a serious problem" ( a felicidade é um problema sério), também citado no livro de Leila Ferreira, afirma que hoje nos sentimos obrigados a demonstrar que somos felizes, tanto nas fotos quanto no dia a dia e essa demonstração coletiva de felicidade faz as pessoas acharem que todos os outros estão realmente felizes, menos elas. Isso faz com que se sintam piores que a maioria das pessoas, já que não conseguem sentir toda aquela felicidade que estão vendo nos outros. É a tirania da felicidade. Não é à toa que a depressão e a ansiedade apresentam crescimento expressivo.
A vida não é feita só de alegria .Ela nos surpreende com golpes inesperados, com perdas importantes, com situações angustiantes. E tudo isso precisa ser vivido para ser superado. Felicidade não é prazer sem fim. Ela convive com o sofrimento, as decepções. Ser verdadeiramente feliz é ser capaz de vivenciar as dores da vida e, mesmo assim, saber reconhecer a presença da felicidade nas coisas mais cotidianas; aquelas que são tão simples e tão valiosas.
Imagem: We heart it.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Le Flâneur: um belo vídeo de Paris!
Imagens espetaculares e uma bela trilha sonora, juntas num vídeo perfeito para matar as saudades de quem já foi a essa cidade encantadora ou para alimentar o sonho daqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer essa obra de arte que é Paris!
terça-feira, 7 de junho de 2011
Preocupação é uma questão de ponto de vista
Você tem um problema na sua vida?
Se a resposta é NÃO -> então não se preocupe.
Você tem um problema na sua vida?
Se a resposta é SIM -> você pode fazer algo sobre isso?
Se a resposta é sim -> então não se preocupe.
Se a resposta é não -> então não se preocupe.
Em outras palavras:
Se um problema tem solução, para quê se preocupar? Afinal, ele tem solução!
Se um problema não tem solução, para quê se preocupar? Afinal, ele não tem solução mesmo!
Tudo é tão fácil na teoria, não é mesmo?!...
Imagem: Happy things.
domingo, 24 de abril de 2011
É hoje que o nosso livro começa a ser escrito
Unwritten: em branco, não escrito. É sobre isso que fala essa música alto astral que eu adoro. Sobre o dia de hoje, quando podemos começar a escrever o livro da nossa história ou simplesmente começar a reescrevê-lo, libertando nossa inibição, soltando nossa capacidade de inovação, vivendo a vida com braços abertos e coragem, prontos para sentir a chuva cair na nossa pele.
Porque o hoje - o tempo presente - é o dia que recebemos de presente para podermos tentar mudar algo na nossa vida. Para colocar de lado as dores do passado e deixá-las lá atrás - no lugar e tempo aos quais elas pertencem - para que não nos impeçam de viver o que há de bom na nossa atual realidade; para voltarmos a sonhar; para dar um novo sentido à nossa vida; para virar a página e encarar a nova página em branco do nosso livro, que nos aguarda, pronta para ser escrita.
E ninguém mais, além de nós mesmos, pode fazer isso pela gente.
Porque o hoje - o tempo presente - é o dia que recebemos de presente para podermos tentar mudar algo na nossa vida. Para colocar de lado as dores do passado e deixá-las lá atrás - no lugar e tempo aos quais elas pertencem - para que não nos impeçam de viver o que há de bom na nossa atual realidade; para voltarmos a sonhar; para dar um novo sentido à nossa vida; para virar a página e encarar a nova página em branco do nosso livro, que nos aguarda, pronta para ser escrita.
E ninguém mais, além de nós mesmos, pode fazer isso pela gente.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Paris, mon amour!
Eu tenho um novo amor. Não, não começou como uma paixão arrebatadora nem foi amor à primeira vista, daquele que te pega de surpresa, sem você esperar. Esse amor é do tipo que vai crescendo lentamente, vai te conquistando pouco a pouco, mostrando-se cada vez mais irresistível, dia após dia, fazendo você se entregar aos seus encantos sem hesitar, tamanho é o fascínio que ele exerce sobre você.
É um amor consistente, fruto de uma convivência prazerosa e enriquecedora. É muito requisitado; na verdade, é o mais procurado do mundo. Mas eu não sou ciumenta e divido-o com quem quiser conhecê-lo melhor e desfrutar de sua agradável companhia. Sei o quanto ele é sedutor e sabe como despertar o romantismo naqueles que o admiram.
O meu novo amor é um lugar. Não um local qualquer, mas a cidade mais visitada do mundo: a linda Paris!
Tão bonita e tão encantadora, que é difícil achar palavras que possam descrever tudo o que aquela cidade é. Só mesmo comparando-a com o amor, o mais sublime dos sentimentos, para que eu possa tentar expressar o encantamento que a cidade me fez experimentar. Paris é tudo o que dizem dela e muito mais.
Paris é um museu a céu aberto. É a cidade dos detalhes, da arte, dos grandes monumentos e da iluminação indireta. Mesmo no inverno - quando os dias têm pouca luz, as árvores estão sem folhas e as fontes de água que embelezam ainda mais a cidade ficam desligadas - Paris é muito bonita. Cada esquina é um flash porque tudo merece uma fotografia.
É uma cidade para ser apreciada, observada em cada pequeno detalhe. E eles são muitos! Por toda parte se vê uma escultura, prédios de arquitetura elaborada e muito dourado, seja ao ar livre ou dentro das construções seculares. A riqueza de detalhes é algo realmente impressionante em Paris. A simetria de alguns locais é deslumbrante, como na Rua Rivoli, por onde eu passava todos os dias e não cansava de admirar seus prédios cheios de arcos perfeitamente idênticos, tão bonitos de se ver!
"Do que você você mais gostou?", uma amiga me perguntou. Difícil escolher uma ou duas coisas que tenham me chamado mais a atenção porque tudo lá é grandioso, atraente aos olhos e com muita história para contar. É um conjunto de fatores que fazem com que Paris seja tão amada. Andar por locais tão antigos, onde aconteceram fatos históricos importantes - tão distantes pra gente na época em que os estudamos na escola - é, sem dúvida, uma experiência muito interessante. Ver construções antigas bem conservadas também é algo com o qual não estamos acostumados. Os franceses valorizam seu patrimônio e cuidam dele de maneira séria.
Embora tudo o que vi tenha me impressionado, devo que dizer que uma das atrações que a cidade oferece desde 1889 tocou meu coração de forma inesperada : a belíssima Torre Eiffel, cuja visão fez meus olhos ficarem marejados numa manhã escura, de céu cinzento e frio intenso. E eu ainda nem a tinha visto à noite, iluminada, majestosa, brilhando de hora em hora como uma jóia preciosa, arrancando muitos "oooooohhh" de quem a observava do Trocadéro e despertando ímpetos românticos no meu outro amor, que me acompanha pelas estradas da vida há 20 anos. Eu, que já havia visto fotos dela de vários ângulos, me apaixonei pela sua presença imponente e sua estrutura tão robusta mas tão delicada!
O Louvre é uma unanimidade, desnecessário tentar escrever sobre essa obra de arte que abriga obras de arte, todas magníficas como a "Vitória Alada da Samotrácia" ( linda e exuberante ao vivo), a "Vênus de Milo", o "Cupido e Psiquê", a enigmática "Monalisa" e tantas outras obras menos famosas mas não menos bonitas.
Ainda tem a grandiosa Catedral de Notre-Dame, a linda Basílica de Sacré-Coeur, a maravilhosa ponte Alexandre III ( a mais linda que eu já vi na vida), a ponte das Artes com os cadeados deixados lá por casais românticos que querem eternizar o seu amor, o Museu d'Orsay com seu belo relógio e seu restaurante absolutamente lindo, o suntuoso Palácio de Versalhes - cuja visita nos faz compreender a revolta do povo francês na época da revolução; o Arco do Triunfo e suas escadarias, o passeio noturno de barco pelo rio Sena - que nos mostra o quanto a cidade é esplendorosa à noite; a Place de la Concorde com sua já tradicional roda gigante de inverno; a espetacular Ópera Garnier e todo o seu requinte, onde temos a sensação de que voltamos no tempo. Enfim, não dá pra falar das maravilhas da Cidade Luz (título recebido por causa do Iluminismo); é preciso vê-las para compreender a razão de sua fama!
Quanto à conhecida grosseria parisiense, não tive o desprazer de conhecê-la. Fui muito bem recebida em todos os lugares e conversei com pessoas educadas e dispostas a dar uma informação, a ajudar na conversa com o garçom, quando este não falava inglês.
Paris é chique, sim. Isso não é simplesmente fama; é fato. Além da arquitetura, das obras de arte e monumentos espalhados pela cidade, o que se vê são muitas lojas luxuosas, vitrines caprichadas, cafés aconchegantes, mulheres charmosas desfilando com seus casacos, chapéus e botas ( diferente dos americanos com seus gorros, japonas acolchoadas e tênis), homens bonitos e elegantes.
É claro que, como toda metrópole, a cidade tem lá os seus problemas, as pichações, o lixo à beira do trilho do trem que leva a Versalhes, os batedores de carteira ( há placas em vários locais como Torre Eiffel e museus, alertando as pessoas para ficarem atentas aos pickpockets ). Algumas curiosidades chamam a atenção como o fato de as pessoas assoarem o nariz à mesa sem o menor pudor na hora da refeição, fazendo um barulho como se fosse uma corneta ("frooooooomm"). Eu e meu marido rimos muito, porque é algo que dificilmente se vê aqui no Brasil. Os mendigos, que também existem lá, no inverno ficam nas ruas segurando seus cães enrolados em cobertas. Certamente sabem que a imagem do cão dormindo enroladinho no colo é uma graça e usam isso para ganhar alguns trocados.
Outra curiosidade foi ficar na fila de um museu atrás de um homem vestido de mulher. Ele não era um travesti, com maquiagem e trejeitos femininos. Era um homem de cabelos curtos, sem maquiagem, vestido com uma saia longa, botas, usava brincos compridos e bolsa feminina. Talvez se tratasse de um Crossdresser (quem desconhece o termo, pode ler esse artigo aqui, da revista Época, que fala sobre o assunto), não posso afirmar com certeza. Ele estava acompanhado de uma mulher e um garoto de uns 11 anos de idade. Não sei dizer se eram um casal ou não. O que percebi nitidamente foi a expressão de espanto das pessoas que estavam na fila quando ficavam de frente para ele, à medida em que a fila andava. Algumas nem sequer disfarçavam a vontade de rir. Achei feia essa atitude das pessoas; até desrespeitosa. Penso que cada um tem o direito de ser quem é. O homem não estava fazendo nada com ninguém, tinha um comportamento discreto, apenas estava na fila conversando com as pessoas que o acompanhavam, aguardando a entrada no museu, como todas as outras pessoas ali presentes. Mas o ser humano se espanta com tudo o que é diferente mesmo.
Eu adorei a gastronomia parisiense. Eles dividem a refeição em entrada, prato principal e sobremesa ( mas você pode escolher apenas duas etapas, se quiser). Parece pouca comida quando olhamos para o prato; mas não é. Comi muito bem, mesmo sendo ela temperada com pouco sal. Acho mais saudável assim. O pão está sempre presente, não só em suas inúmeras variações no café da manhã, como também no almoço e jantar. Sinceramente, não sei como as parisienses podem ser conhecidas pela sua boa forma comendo tantos pães e docinhos maravilhosos! Por falar em doce... macaron!!! Meus Deus, o que são aqueles docinhos coloridos??! Os de Pierre Hermé são puro prazer, desmanchando-se na boca ( chego a ficar com água na boca ao escrever isso!) e os da Ladurée são um prazer também para os olhos porque a loja é um encanto.
Aaaahh Paris.... mon amour!!
Eu sei que o mundo é imenso e que há lugares deslumbrantes por aí. Mas depois de conhecer Paris, a sensação que tenho é de que nunca mais irei conhecer um lugar tão bonito, charmoso e com tantos detalhes para se admirar como aquela cidade...
Imagens: meu Flickr
É um amor consistente, fruto de uma convivência prazerosa e enriquecedora. É muito requisitado; na verdade, é o mais procurado do mundo. Mas eu não sou ciumenta e divido-o com quem quiser conhecê-lo melhor e desfrutar de sua agradável companhia. Sei o quanto ele é sedutor e sabe como despertar o romantismo naqueles que o admiram.
O meu novo amor é um lugar. Não um local qualquer, mas a cidade mais visitada do mundo: a linda Paris!
Tão bonita e tão encantadora, que é difícil achar palavras que possam descrever tudo o que aquela cidade é. Só mesmo comparando-a com o amor, o mais sublime dos sentimentos, para que eu possa tentar expressar o encantamento que a cidade me fez experimentar. Paris é tudo o que dizem dela e muito mais.
Paris é um museu a céu aberto. É a cidade dos detalhes, da arte, dos grandes monumentos e da iluminação indireta. Mesmo no inverno - quando os dias têm pouca luz, as árvores estão sem folhas e as fontes de água que embelezam ainda mais a cidade ficam desligadas - Paris é muito bonita. Cada esquina é um flash porque tudo merece uma fotografia.
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| À esquerda, foto tirada em setembro. À direita, em janeiro, inverno: dias com pouca luz para as fotos e árvores secas. |
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| Detalhes do interior da Ópera |
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| Ponte Alexandre III |
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| Torre Eiffel: enorme e linda |
O Louvre é uma unanimidade, desnecessário tentar escrever sobre essa obra de arte que abriga obras de arte, todas magníficas como a "Vitória Alada da Samotrácia" ( linda e exuberante ao vivo), a "Vênus de Milo", o "Cupido e Psiquê", a enigmática "Monalisa" e tantas outras obras menos famosas mas não menos bonitas.
Ainda tem a grandiosa Catedral de Notre-Dame, a linda Basílica de Sacré-Coeur, a maravilhosa ponte Alexandre III ( a mais linda que eu já vi na vida), a ponte das Artes com os cadeados deixados lá por casais românticos que querem eternizar o seu amor, o Museu d'Orsay com seu belo relógio e seu restaurante absolutamente lindo, o suntuoso Palácio de Versalhes - cuja visita nos faz compreender a revolta do povo francês na época da revolução; o Arco do Triunfo e suas escadarias, o passeio noturno de barco pelo rio Sena - que nos mostra o quanto a cidade é esplendorosa à noite; a Place de la Concorde com sua já tradicional roda gigante de inverno; a espetacular Ópera Garnier e todo o seu requinte, onde temos a sensação de que voltamos no tempo. Enfim, não dá pra falar das maravilhas da Cidade Luz (título recebido por causa do Iluminismo); é preciso vê-las para compreender a razão de sua fama!
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| O belíssimo restaurante do Museu d'Orsay |
Paris é chique, sim. Isso não é simplesmente fama; é fato. Além da arquitetura, das obras de arte e monumentos espalhados pela cidade, o que se vê são muitas lojas luxuosas, vitrines caprichadas, cafés aconchegantes, mulheres charmosas desfilando com seus casacos, chapéus e botas ( diferente dos americanos com seus gorros, japonas acolchoadas e tênis), homens bonitos e elegantes.
É claro que, como toda metrópole, a cidade tem lá os seus problemas, as pichações, o lixo à beira do trilho do trem que leva a Versalhes, os batedores de carteira ( há placas em vários locais como Torre Eiffel e museus, alertando as pessoas para ficarem atentas aos pickpockets ). Algumas curiosidades chamam a atenção como o fato de as pessoas assoarem o nariz à mesa sem o menor pudor na hora da refeição, fazendo um barulho como se fosse uma corneta ("frooooooomm"). Eu e meu marido rimos muito, porque é algo que dificilmente se vê aqui no Brasil. Os mendigos, que também existem lá, no inverno ficam nas ruas segurando seus cães enrolados em cobertas. Certamente sabem que a imagem do cão dormindo enroladinho no colo é uma graça e usam isso para ganhar alguns trocados.
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| O cãozinho dormindo no colo do dono, enrolado em cobertas |
Outra curiosidade foi ficar na fila de um museu atrás de um homem vestido de mulher. Ele não era um travesti, com maquiagem e trejeitos femininos. Era um homem de cabelos curtos, sem maquiagem, vestido com uma saia longa, botas, usava brincos compridos e bolsa feminina. Talvez se tratasse de um Crossdresser (quem desconhece o termo, pode ler esse artigo aqui, da revista Época, que fala sobre o assunto), não posso afirmar com certeza. Ele estava acompanhado de uma mulher e um garoto de uns 11 anos de idade. Não sei dizer se eram um casal ou não. O que percebi nitidamente foi a expressão de espanto das pessoas que estavam na fila quando ficavam de frente para ele, à medida em que a fila andava. Algumas nem sequer disfarçavam a vontade de rir. Achei feia essa atitude das pessoas; até desrespeitosa. Penso que cada um tem o direito de ser quem é. O homem não estava fazendo nada com ninguém, tinha um comportamento discreto, apenas estava na fila conversando com as pessoas que o acompanhavam, aguardando a entrada no museu, como todas as outras pessoas ali presentes. Mas o ser humano se espanta com tudo o que é diferente mesmo.
Eu adorei a gastronomia parisiense. Eles dividem a refeição em entrada, prato principal e sobremesa ( mas você pode escolher apenas duas etapas, se quiser). Parece pouca comida quando olhamos para o prato; mas não é. Comi muito bem, mesmo sendo ela temperada com pouco sal. Acho mais saudável assim. O pão está sempre presente, não só em suas inúmeras variações no café da manhã, como também no almoço e jantar. Sinceramente, não sei como as parisienses podem ser conhecidas pela sua boa forma comendo tantos pães e docinhos maravilhosos! Por falar em doce... macaron!!! Meus Deus, o que são aqueles docinhos coloridos??! Os de Pierre Hermé são puro prazer, desmanchando-se na boca ( chego a ficar com água na boca ao escrever isso!) e os da Ladurée são um prazer também para os olhos porque a loja é um encanto.
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| Macaron Ladurée |
Aaaahh Paris.... mon amour!!
Eu sei que o mundo é imenso e que há lugares deslumbrantes por aí. Mas depois de conhecer Paris, a sensação que tenho é de que nunca mais irei conhecer um lugar tão bonito, charmoso e com tantos detalhes para se admirar como aquela cidade...
Imagens: meu Flickr
domingo, 19 de dezembro de 2010
Indignação: reajuste salarial dos parlamentares
Queridos leitores do meu blog, hoje o texto não é meu, mas sim do site "Congresso em foco - jornalismo para mudar", cujo assunto é o aumento salarial autoconcedido pelos parlamentares no último dia 15/12.
Estou indignada, como grande parcela da população brasileira que tem um mínimo de esclarecimento e senso crítico a respeito de fatos absurdos que acontecem no nosso país, protagonizados por pessoas que foram eleitas pelo povo, mas que não possuem o menor respeito por aqueles que os colocaram onde hoje estão. Por que eles pensam que são melhores do que o povo que os elege?
Peço-lhes que divulguem esse texto abaixo e o site "Congresso em foco" para que possamos fazer as pessoas refletirem um pouco e, quem sabe, com a união de todos os brasileiros, revertermos essa situação e nos conscientizarmos ainda mais na hora da eleição. A opinião pública tem peso e deve ser ouvida!
Caso queiram ler a matéria diretamente no site, cliquem AQUI.
19/12/2010 - 08h00
Parlamentares ficam de bolso cheio e boca calada
"Apenas 11 dos 395 deputados presentes à sessão defenderam o aumento de 62% nos salários. Veja quem foram eles e o que eles falaram
Edson Sardinha
O reajuste salarial de 62% autoconcedido pelos parlamentares na quarta-feira passada (15) foi aprovado por uma maioria silenciosa. Apenas oito dos 395 deputados que marcaram presença na sessão que resultou na elevação do salário dos congressistas dos atuais R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil, registraram voto contra a proposta. Apenas 11 se dispuseram a usar o microfone para defender o aumento.
A leitura atenta das notas taquigráficas daquela sessão da tarde revela o modo peculiar com que um grupo de parlamentares enxerga o exercício do mandato. Nos discursos, houve de tudo um pouco: de deputado envergonhado com a magreza do seu contracheque a deputado lamentando passar cinco meses do ano “sem fazer absolutamente nada”. De deputado querendo ganhar quase o dobro dos R$ 26,7 mil aprovados a deputado querendo que o contribuinte garantisse sua “independência financeira”.
Teve até deputado que, após defender a votação do aumento e ver o projeto de decreto legislativo aprovado, pediu ao presidente da sessão que registrasse seu voto contra a proposta por um motivo inusitado. “Agora, demagogicamente, eu sou contra”, disse Manato (PDT-ES), logo após a proclamação do resultado. Uma hora antes, Manato havia usado o microfone para chamar seus colegas de partido ao plenário para votar “esse projeto importantíssimo para o funcionamento da Casa”.
Além do irônico Manato, apenas os deputados Augusto Carvalho (PPS-DF), Chico Alencar (Psol-RJ), Fernando Gabeira (PV-RJ), Ivan Valente (Psol-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), Mauro Nazif (PSB-RO) e Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) levantaram o braço durante a votação simbólica, manifestando-se contra o aumento.
Nessa modalidade de votação, o deputado não precisa registrar seu voto no painel eletrônico nem declará-lo ao microfone. A estratégia costuma ser usada em votações polêmicas, em que os parlamentares preferem que seus eleitores não saibam como votaram.
Diferentemente do que ocorreu na sessão imediatamente anterior, quando os parlamentares aprovaram o pedido para que a proposta fosse votada naquele mesmo dia, nenhum deputado subiu à tribuna para defender o aumento. Enquanto isso, seis se revezaram na tribuna para criticar o reajuste, que também beneficia senadores, ministros de Estado, presidente e vice-presidente da República. Foram eles: Luiza Erundina, Chico Alencar, Ivan Valente, Eduardo Valverde (PT-RO), Magela (PT-DF) e Fernando Chiarelli (PDT-SP).
Na sessão anterior, o número de deputados que discursaram a favor do aumento superou o dos que o criticavam: 11 a nove. Entre os que usaram o microfone para defender a votação do projeto de decreto legislativo naquela quarta-feira, três se destacaram pela veemência com que argumentaram: Abelardo Camarinha (PSB-SP), Nelson Marquezelli (PTB-SP) e Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que no ano passado disse “se lixar” para a opinião pública ao antecipar que absolveria um colega acusado de mandar recursos da Câmara para as próprias empresas.
20 mil dólares
Um dos principais articuladores do aumento, o atual quarto-secretário da Câmara, Nelson Marquezelli, lamentou que a Casa estivesse votando o reajuste de apenas 62%. Para ele, o percentual era injusto e os parlamentares deveriam ganhar por mês quase o dobro dos R$ 26,7 mil que estavam aprovando, tamanha a defasagem salarial, segundo o petebista.
“Se fôssemos fazer a devida correção, o valor seria quase o dobro do que a Mesa está propondo, pois teríamos de voltar lá atrás, antes de 1988, talvez a 1986, para fazer a correção. Quando entrei nesta Casa, em 1990, o salário do Parlamentar era de aproximadamente 20 mil dólares, o que equivaleria hoje a uns 38 mil reais, quase 40 mil. Não podemos fazer essa correção simples, porque extrapolaríamos o teto pago ao funcionalismo público. Temos de nos ater ao teto de hoje, não há outra forma de trabalhar”, declarou o atual quarto-secretário da Câmara.
Ainda em seu discurso, Marquezelli disse que apresentará em fevereiro uma proposta de emenda constitucional equiparando oficialmente os salários dos parlamentares aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), teto atual do funcionalismo público. A ideia, segundo ele, é também acabar com o efeito cascata produzido nos legislativos estaduais e municipais país afora toda vez que se aprova o reajuste do Legislativo federal.
Independência financeira
Em seu pronunciamento, Abelardo Camarinha qualificou como criminosa a distorção salarial no Executivo. “De fato, um policial rodoviário ganhar 9 mil e um ministro 8 mil é um crime”, avaliou. O ex-prefeito de Marília (SP), que responde a 14 ações penais e inquéritos no Supremo, disse que os parlamentares precisam ter sua “independência financeira” para desempenhar melhor o mandato.
“Quanto ganha um diretor da Nestlé? Quanto ganha um diretor da Globo? Quanto ganha um diretor dos jornais de grande circulação do país? O que se passa nesta Casa? Temos de ter independência financeira”, alegou.
O deputado do PSB paulista ainda reclamou do valor registrado em seu último contracheque. “Os funcionários e os deputados, que estão sem reajuste há quatro anos, não podem mais continuar sem aumento. Este mês, deputado Marquezelli, recebi da Casa R$ 7.450. Quando se informa isso na rua, dizem que é mentira. Ninguém acredita que um deputado ganha 12 mil reais de salário bruto.”
Camarinha desafiou os colegas dispostos a votarem contra a proposta que doassem o valor correspondente ao aumento para instituições filantrópicas. “Minha sugestão é a seguinte: quem não aprovar a proposição faça uma doação para a Apae [Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais], pegue todo mês um recibo e o apresente à Casa.”
Perdendo tempo
O mesmo apelo foi feito por Sérgio Moraes. O deputado gaúcho fez uma curiosa conta, levando em consideração o tempo que “perde” no avião, no aeroporto e nos deslocamentos terrestres, e chegou à conclusão de que passa cinco meses do ano “sem produzir absolutamente nada”.
“Parlamentares: eu fico em média, senhor presidente, 200 horas por ano dentro de um avião, mais ou menos isso; eu fico mais ou menos outras 300 horas por ano nos aeroportos; e no deslocamento entre a minha casa e o aeroporto eu levo mais ou menos duas horas, para ir e para vir; então, eu fico ao redor de 900 horas por ano nisso, o que daria, no que seria uma jornada de 44 horas, ao redor de cinco meses de trabalho sem produzir absolutamente nada”, contou.
Reeleito em outubro com 97 mil votos, Sérgio Moraes disse que votar contra o aumento seria “demagogia pura”. O ex-prefeito de Santa Cruz do Sul (RS) disse enfrentar sacrifícios para seguir na vida política.
“Ora, abandonei os meus negócios, abandonei a minha família, para me dedicar a uma causa que há 30 anos tenho, como deputado, como vereador, como prefeito; então, àqueles que votam contra, que votarão contra, aqui, eu faço um apelo: que abram mão do aumento, porque é muito bonito vir aqui a esta Casa, fazer um discurso contrário, fazer demagogia e depois colocar o dinheiro no bolso. É o que tem acontecido aqui”, discursou. “Eu, presidente, voto sim porque eu acho que os deputados têm de ganhar bem, porque senão, logo ali na frente, não vai haver ninguém qualificado aqui nesta Casa”, emendou.
Hipocrisia
Os deputados Moreira Mendes (PPS-RO) e Pedro Fernandes (PTB-MA) também pediram pressa na votação do aumento. Vanderlei Macris (PSDB-SP), Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG) declararam apoio, mas com ressalva: defenderam a redução de outros benefícios a que os parlamentares têm direito.
Em nome de seus respectivos partidos, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Maurício Rands (PT-PE) e Antonio Cruz (PP-MS) também se manifestaram a favor da aprovação. Moreira Mendes contou até que interrompeu uma licença médica apenas para votar o próprio aumento: “Acho isso uma hipocrisia. O parlamentar merece receber o que é justo”.
Transparência à tarde
Na presidência da sessão, o segundo-secretário da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), também fez uso do microfone para contestar as críticas feitas pelos deputados Luiza Erundina e Chico Alencar de que o aumento deveria ser discutido de forma mais transparente com a sociedade.
“Não quisemos fazê-lo na última semana para não dizerem depois que o fizemos na calada da noite. Estamos tratando a questão de forma transparente, clara. A vinculação vai ser feita com o que se ganha nesta Legislatura. Ninguém fala em vinculação com o Supremo, e a Mesa quer explicar isso. Na Mesa Diretora, este assunto foi decidido por unanimidade. Até o presidente Michel Temer, que estava fora e foi consultado, disse que não tinha nenhuma objeção a fazer”, declarou.
“De toda forma, quando se fala que se está votando com total transparência, de fato, isso é real: três horas da tarde é melhor do que três horas da madrugada!”, ironizou Chico Alencar. O deputado do Psol disse que o aumento “aprofunda o abismo e o fosso entre o Parlamento e a sociedade”. “É, de certa maneira, advocacia em causa própria”, criticou. “É bom lembrar que, durante a campanha eleitoral recente, milhares de candidatos e partidos jamais apresentaram essa pretensão que, pelo efeito cascata e pela amplitude, afeta as contas públicas e diz respeito àqueles que representamos”, ressaltou.
Ainda na fase de encaminhamento da votação da urgência, Erundina alertou os colegas para o risco que corriam com o aumento. “Tirem os seus bótons, porque vão sofrer agressões, críticas e reações da população, que não aceita essa arbitrariedade, esse desrespeito e essa desconsideração com o interesse público”, declarou. “O meu voto é não; o meu voto é de denúncia contra o desrespeito ao interesse público que esta medida representa, em especial por ser apreciada num final de Legislatura, sem transparência, sem uma lógica que justifique este reajuste tão diferenciado, concedido em favor de quem decide a respeito da questão”, declarou a deputada."
Matéria publicada pelo site Congresso em foco em 19 de Dezembro de 2010.
Imagem: site Congresso em foco
Estou indignada, como grande parcela da população brasileira que tem um mínimo de esclarecimento e senso crítico a respeito de fatos absurdos que acontecem no nosso país, protagonizados por pessoas que foram eleitas pelo povo, mas que não possuem o menor respeito por aqueles que os colocaram onde hoje estão. Por que eles pensam que são melhores do que o povo que os elege?
Peço-lhes que divulguem esse texto abaixo e o site "Congresso em foco" para que possamos fazer as pessoas refletirem um pouco e, quem sabe, com a união de todos os brasileiros, revertermos essa situação e nos conscientizarmos ainda mais na hora da eleição. A opinião pública tem peso e deve ser ouvida!
Caso queiram ler a matéria diretamente no site, cliquem AQUI.
19/12/2010 - 08h00
Parlamentares ficam de bolso cheio e boca calada
"Apenas 11 dos 395 deputados presentes à sessão defenderam o aumento de 62% nos salários. Veja quem foram eles e o que eles falaram
Edson Sardinha
O reajuste salarial de 62% autoconcedido pelos parlamentares na quarta-feira passada (15) foi aprovado por uma maioria silenciosa. Apenas oito dos 395 deputados que marcaram presença na sessão que resultou na elevação do salário dos congressistas dos atuais R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil, registraram voto contra a proposta. Apenas 11 se dispuseram a usar o microfone para defender o aumento.
A leitura atenta das notas taquigráficas daquela sessão da tarde revela o modo peculiar com que um grupo de parlamentares enxerga o exercício do mandato. Nos discursos, houve de tudo um pouco: de deputado envergonhado com a magreza do seu contracheque a deputado lamentando passar cinco meses do ano “sem fazer absolutamente nada”. De deputado querendo ganhar quase o dobro dos R$ 26,7 mil aprovados a deputado querendo que o contribuinte garantisse sua “independência financeira”.
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| Nelson Marquezelli: se dependesse dele, aumento no salário do parlamentar seria o dobro |
Além do irônico Manato, apenas os deputados Augusto Carvalho (PPS-DF), Chico Alencar (Psol-RJ), Fernando Gabeira (PV-RJ), Ivan Valente (Psol-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), Mauro Nazif (PSB-RO) e Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) levantaram o braço durante a votação simbólica, manifestando-se contra o aumento.
Nessa modalidade de votação, o deputado não precisa registrar seu voto no painel eletrônico nem declará-lo ao microfone. A estratégia costuma ser usada em votações polêmicas, em que os parlamentares preferem que seus eleitores não saibam como votaram.
Diferentemente do que ocorreu na sessão imediatamente anterior, quando os parlamentares aprovaram o pedido para que a proposta fosse votada naquele mesmo dia, nenhum deputado subiu à tribuna para defender o aumento. Enquanto isso, seis se revezaram na tribuna para criticar o reajuste, que também beneficia senadores, ministros de Estado, presidente e vice-presidente da República. Foram eles: Luiza Erundina, Chico Alencar, Ivan Valente, Eduardo Valverde (PT-RO), Magela (PT-DF) e Fernando Chiarelli (PDT-SP).
Na sessão anterior, o número de deputados que discursaram a favor do aumento superou o dos que o criticavam: 11 a nove. Entre os que usaram o microfone para defender a votação do projeto de decreto legislativo naquela quarta-feira, três se destacaram pela veemência com que argumentaram: Abelardo Camarinha (PSB-SP), Nelson Marquezelli (PTB-SP) e Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que no ano passado disse “se lixar” para a opinião pública ao antecipar que absolveria um colega acusado de mandar recursos da Câmara para as próprias empresas.
20 mil dólares
Um dos principais articuladores do aumento, o atual quarto-secretário da Câmara, Nelson Marquezelli, lamentou que a Casa estivesse votando o reajuste de apenas 62%. Para ele, o percentual era injusto e os parlamentares deveriam ganhar por mês quase o dobro dos R$ 26,7 mil que estavam aprovando, tamanha a defasagem salarial, segundo o petebista.
“Se fôssemos fazer a devida correção, o valor seria quase o dobro do que a Mesa está propondo, pois teríamos de voltar lá atrás, antes de 1988, talvez a 1986, para fazer a correção. Quando entrei nesta Casa, em 1990, o salário do Parlamentar era de aproximadamente 20 mil dólares, o que equivaleria hoje a uns 38 mil reais, quase 40 mil. Não podemos fazer essa correção simples, porque extrapolaríamos o teto pago ao funcionalismo público. Temos de nos ater ao teto de hoje, não há outra forma de trabalhar”, declarou o atual quarto-secretário da Câmara.
Ainda em seu discurso, Marquezelli disse que apresentará em fevereiro uma proposta de emenda constitucional equiparando oficialmente os salários dos parlamentares aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), teto atual do funcionalismo público. A ideia, segundo ele, é também acabar com o efeito cascata produzido nos legislativos estaduais e municipais país afora toda vez que se aprova o reajuste do Legislativo federal.
Independência financeira
Em seu pronunciamento, Abelardo Camarinha qualificou como criminosa a distorção salarial no Executivo. “De fato, um policial rodoviário ganhar 9 mil e um ministro 8 mil é um crime”, avaliou. O ex-prefeito de Marília (SP), que responde a 14 ações penais e inquéritos no Supremo, disse que os parlamentares precisam ter sua “independência financeira” para desempenhar melhor o mandato.
“Quanto ganha um diretor da Nestlé? Quanto ganha um diretor da Globo? Quanto ganha um diretor dos jornais de grande circulação do país? O que se passa nesta Casa? Temos de ter independência financeira”, alegou.
O deputado do PSB paulista ainda reclamou do valor registrado em seu último contracheque. “Os funcionários e os deputados, que estão sem reajuste há quatro anos, não podem mais continuar sem aumento. Este mês, deputado Marquezelli, recebi da Casa R$ 7.450. Quando se informa isso na rua, dizem que é mentira. Ninguém acredita que um deputado ganha 12 mil reais de salário bruto.”
Camarinha desafiou os colegas dispostos a votarem contra a proposta que doassem o valor correspondente ao aumento para instituições filantrópicas. “Minha sugestão é a seguinte: quem não aprovar a proposição faça uma doação para a Apae [Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais], pegue todo mês um recibo e o apresente à Casa.”
Perdendo tempo
O mesmo apelo foi feito por Sérgio Moraes. O deputado gaúcho fez uma curiosa conta, levando em consideração o tempo que “perde” no avião, no aeroporto e nos deslocamentos terrestres, e chegou à conclusão de que passa cinco meses do ano “sem produzir absolutamente nada”.
“Parlamentares: eu fico em média, senhor presidente, 200 horas por ano dentro de um avião, mais ou menos isso; eu fico mais ou menos outras 300 horas por ano nos aeroportos; e no deslocamento entre a minha casa e o aeroporto eu levo mais ou menos duas horas, para ir e para vir; então, eu fico ao redor de 900 horas por ano nisso, o que daria, no que seria uma jornada de 44 horas, ao redor de cinco meses de trabalho sem produzir absolutamente nada”, contou.
Reeleito em outubro com 97 mil votos, Sérgio Moraes disse que votar contra o aumento seria “demagogia pura”. O ex-prefeito de Santa Cruz do Sul (RS) disse enfrentar sacrifícios para seguir na vida política.
“Ora, abandonei os meus negócios, abandonei a minha família, para me dedicar a uma causa que há 30 anos tenho, como deputado, como vereador, como prefeito; então, àqueles que votam contra, que votarão contra, aqui, eu faço um apelo: que abram mão do aumento, porque é muito bonito vir aqui a esta Casa, fazer um discurso contrário, fazer demagogia e depois colocar o dinheiro no bolso. É o que tem acontecido aqui”, discursou. “Eu, presidente, voto sim porque eu acho que os deputados têm de ganhar bem, porque senão, logo ali na frente, não vai haver ninguém qualificado aqui nesta Casa”, emendou.
Hipocrisia
Os deputados Moreira Mendes (PPS-RO) e Pedro Fernandes (PTB-MA) também pediram pressa na votação do aumento. Vanderlei Macris (PSDB-SP), Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG) declararam apoio, mas com ressalva: defenderam a redução de outros benefícios a que os parlamentares têm direito.
Em nome de seus respectivos partidos, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Maurício Rands (PT-PE) e Antonio Cruz (PP-MS) também se manifestaram a favor da aprovação. Moreira Mendes contou até que interrompeu uma licença médica apenas para votar o próprio aumento: “Acho isso uma hipocrisia. O parlamentar merece receber o que é justo”.
Transparência à tarde
Na presidência da sessão, o segundo-secretário da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), também fez uso do microfone para contestar as críticas feitas pelos deputados Luiza Erundina e Chico Alencar de que o aumento deveria ser discutido de forma mais transparente com a sociedade.
“Não quisemos fazê-lo na última semana para não dizerem depois que o fizemos na calada da noite. Estamos tratando a questão de forma transparente, clara. A vinculação vai ser feita com o que se ganha nesta Legislatura. Ninguém fala em vinculação com o Supremo, e a Mesa quer explicar isso. Na Mesa Diretora, este assunto foi decidido por unanimidade. Até o presidente Michel Temer, que estava fora e foi consultado, disse que não tinha nenhuma objeção a fazer”, declarou.
“De toda forma, quando se fala que se está votando com total transparência, de fato, isso é real: três horas da tarde é melhor do que três horas da madrugada!”, ironizou Chico Alencar. O deputado do Psol disse que o aumento “aprofunda o abismo e o fosso entre o Parlamento e a sociedade”. “É, de certa maneira, advocacia em causa própria”, criticou. “É bom lembrar que, durante a campanha eleitoral recente, milhares de candidatos e partidos jamais apresentaram essa pretensão que, pelo efeito cascata e pela amplitude, afeta as contas públicas e diz respeito àqueles que representamos”, ressaltou.
Ainda na fase de encaminhamento da votação da urgência, Erundina alertou os colegas para o risco que corriam com o aumento. “Tirem os seus bótons, porque vão sofrer agressões, críticas e reações da população, que não aceita essa arbitrariedade, esse desrespeito e essa desconsideração com o interesse público”, declarou. “O meu voto é não; o meu voto é de denúncia contra o desrespeito ao interesse público que esta medida representa, em especial por ser apreciada num final de Legislatura, sem transparência, sem uma lógica que justifique este reajuste tão diferenciado, concedido em favor de quem decide a respeito da questão”, declarou a deputada."
Matéria publicada pelo site Congresso em foco em 19 de Dezembro de 2010.
Imagem: site Congresso em foco
domingo, 12 de dezembro de 2010
Agradecer mais do que pedir
A vida não é boa, tranquila e nem generosa o tempo todo. É assim para todo mundo. O sofrimento nem sempre bate à nossa porta, avisando-nos que vai entrar; muitas vezes ele a arromba, pegando-nos de surpresa e mudando a nossa vida. Alguns sofrimentos são consequências de decisões erradas que tomamos; outros são fruto de decisões erradas que outras pessoas tomam e que nos atingem em cheio. Na vida, estamos sempre tomando decisões, fazendo escolhas. Fazer escolhas pode ser algo fantástico ou assustador, depende do ponto de vista de cada um.
Uma das escolhas que decidi fazer há algum tempo é agradecer mais do que pedir. Quando se atinge uma certa maturidade e experiência de vida, percebemos que podemos escolher enxergar as bênçãos que recebemos em nossa vida ou ficarmos lamentando aquilo que não temos. Não se trata de acomodar-se diante de uma situação, mas reconhecer as coisas boas que nos acontecem ou simplesmente existem na nossa vida.
Quando você é grato por algo, significa que alguma coisa boa você tem na sua vida - uma família bacana, um amor que vale a pena, um amigo verdadeiro, um emprego, um teto e uma cama quentinha que te abrigam nas noites de chuva, um filho saudável, comida na geladeira para quando te der fome, um animal de estimação que você adora, saúde, inteligência e tantas outras coisas simples, mas de um valor imenso. Basta você se imaginar sem elas para ver o quanto são valiosas.
A revista Claudia, em artigo publicado numa edição do ano passado, baseado no livro "Agradeça e seja feliz! Como a ciência da gratidão pode mudar sua vida para melhor" , de autoria de Robert A. Emmons, sugere algumas atitudes que transcrevo aqui por achar que podem ser úteis a alguém que leia esse meu texto. São elas:
" MANTENHA UM DIÁRIO DE GRATIDÃO: registre nele as coisas boas que lhe acontecerem. O hábito favorece a visão das dádivas.
FAÇA 3 PERGUNTAS A SI MESMO:
1. O que eu recebi hoje ( de pessoas com quem você convive)?
2. O que eu dei?
3. Causei alguma dificuldade a alguém?
Imagem: we heart it
Uma das escolhas que decidi fazer há algum tempo é agradecer mais do que pedir. Quando se atinge uma certa maturidade e experiência de vida, percebemos que podemos escolher enxergar as bênçãos que recebemos em nossa vida ou ficarmos lamentando aquilo que não temos. Não se trata de acomodar-se diante de uma situação, mas reconhecer as coisas boas que nos acontecem ou simplesmente existem na nossa vida.
Quando você é grato por algo, significa que alguma coisa boa você tem na sua vida - uma família bacana, um amor que vale a pena, um amigo verdadeiro, um emprego, um teto e uma cama quentinha que te abrigam nas noites de chuva, um filho saudável, comida na geladeira para quando te der fome, um animal de estimação que você adora, saúde, inteligência e tantas outras coisas simples, mas de um valor imenso. Basta você se imaginar sem elas para ver o quanto são valiosas.
A revista Claudia, em artigo publicado numa edição do ano passado, baseado no livro "Agradeça e seja feliz! Como a ciência da gratidão pode mudar sua vida para melhor" , de autoria de Robert A. Emmons, sugere algumas atitudes que transcrevo aqui por achar que podem ser úteis a alguém que leia esse meu texto. São elas:
" MANTENHA UM DIÁRIO DE GRATIDÃO: registre nele as coisas boas que lhe acontecerem. O hábito favorece a visão das dádivas.
FAÇA 3 PERGUNTAS A SI MESMO:
1. O que eu recebi hoje ( de pessoas com quem você convive)?
2. O que eu dei?
3. Causei alguma dificuldade a alguém?
Esse exercício melhora e torna gratificantes todas as suas relações pessoais e profissionais.
AGRADEÇA POR DAR: você pode ser grata a quem aceitou seu carinho ou ajuda e permitiu que você se alegrasse por poder exercitar atitudes como ser atenciosa, generosa etc.
DECLARE-SE OU ESCREVA BILHETES: basta uma frase para valorizar os pequenos e grandes favores ou gentilezas que recebemos dos outros. E essa frase será mais uma bênção compartilhada ."
Ao sentir gratidão, a gente reconhece a existência da bondade na vida. Apesar do sofrimento fazer parte dela, há coisas boas que fazem a nossa existência valer a pena, embora muitas vezes nos seja difícil pensar assim - sobretudo quando estamos vivendo momentos de muita dor. Ter gratidão é ser humilde, é reconhecer a contribuição do outro na nossa vida. Cultivar essa atitude mental de agradecimento é importante para a nossa saúde emocional. Ter consciência das coisas boas que fazem parte da nossa vida nos ajuda a viver melhor.
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